POR QUE CERES NÃO CRESCE E O QUE FAZER PARA TORNÁ-LA PRÓSPERA?



O município de Ceres sempre se destacou em Goiás como uma importante cidade do Centro-Norte do estado. Prova disso são os índices calculados por instituições tais como FIRJAN, IBGE, ONU, FGV e IMB que atestam a importância de nossa cidade.


Neste artigo pretendo apresentar índices bastante interessantes, dois dos quais calculados pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) e um calculado pelo Instituto Mauro Borges (IMB).


A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro calcula o Índice de Desenvolvimento Municipal há mais de uma década analisando os números de todas as 5.570 cidades brasileiras. O mesmo considera aspectos relacionados à saúde, educação e geração de emprego e renda. A pontuação atual de nossa cidade é 0,8478, (o índice vai de 0 a 1), o que a posiciona no 89º lugar no ranking nacional e na terceira colocação em nível estadual, perdendo apenas para Chapadão do Céu e Itumbiara.


Porém, considerar apenas o número consolidado pode nos induzir a acreditar que a Cidade de Ceres é uma potencia regional em qualidade de vida o que, de fato, é apenas uma meia-verdade.


Quando desmembramos o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal percebemos que Ceres tem uma nota excelente em saúde (0,9280), melhor ainda em educação (0,9900) e mediana em geração de emprego e renda (0,6255), ou seja, apesar de ser uma cidade com alto padrão de desenvolvimento quando falamos de saúde e educação, estamos muito fracos quando o assunto é emprego e renda.


Para que o leitor tenha uma noção do problema, se o índice considerasse apenas o lado econômico do emprego e da renda, Ceres despencaria da terceira colocação no estado para a trigésima quinta e deixaria o 89º lugar no ranking nacional para ficar na 619º colocação.


Quando analisamos a série histórica deste índice desde 2005 (quanto foi iniciada), vemos que a educação do município manteve uma tendência de crescimento ao longo do tempo e que a saúde, que sempre foi boa, obteve resultados ainda melhores entre 2013 e 2016 que podem ser sentidos até hoje, por outro lado, os critérios de emprego e renda sempre apresentaram resultados fracos ou medianos tendo até piorado no ano 2015 se recuperando timidamente desde então.


Resumindo, a economia da cidade, não obstante seu potencial, não é tão boa quanto achamos que é e essa estagnação já vem de longa data e parece ser um problema estrutural em nosso caso.


O outro índice Firjan sobre o qual quero conversar é o Índice de Gestão Fiscal que atribui notas de 0 a 1 ao governos locais, considerando aspectos tais como receita própria, gastos com pessoal, nível de investimentos, liquidez e custo da dívida municipal.


A nota atribuída a Ceres atualmente é 0,6341, (20º colocado no estado), o que, em termos gerais não é ruim. Todavia, quando olhamos com mais atenção para os números notamos dois pontos fracos que merecem ser registrados. Primeiro, a geração de receita própria do município é extremamente fraca, sob esta ótica caímos para o 75º lugar em um contexto em que a imensa maioria das cidades goianas é muito mal avaliada e, por fim, o nosso nível de investimento público que oscila muito (depende da “sorte” do gestor em conseguir recursos junto ao Governo Federal e ao Estado) e que atualmente coloca Ceres na centésima, décima quarta colocação no estado.


É certo que os índices listados aqui foram apurados em 2018 e tem como ano base 2016 e que, talvez, uma ou outra coisa pode ter melhorado, ainda assim, os números não mudam da noite para o dia e quando olhamos a série histórica desde 2008, notamos que o problema da receita própria é crônico e que o problema do baixo nível de investimento é uma febre intermitente alternando ocasiões de melhoria momentânea e de pioras abruptas.


Com base nestes dois números podemos perceber o círculo vicioso que assola nossa cidade: A economia de Ceres tem baixo nível de geração de emprego e renda por conta disso a prefeitura tem muita dificuldade para elevar sua receita própria; como sua receita própria é baixa sobra pouco recurso para investir na cidade o que, com o tempo, diminui ainda mais a capacidade da economia local gerar emprego e renda.


A esta realidade cabe somar outro dilema típico das cidades brasileiras: a maior parte da receita é destinada a fazer frente aos compromissos legais tais como saúde e educação (no caso de Ceres saúde tem um peso especialmente significativo muito maior do que a obrigação legal) e o que sobra acaba sendo usado para manter a máquina pública funcionando (despesas fixas, principalmente folha de pagamento e contratos). Quando “pinga” algum dinheiro extra ele acaba sendo destinado para manutenção das vias públicas uma vez que “o buraco no asfalto” pode afetar muito a popularidade do governante que precisa ter um nível mínimo de aceitação do eleitorado para poder se manter como tal ou fazer sucessor.


Tudo isto acaba atrapalhando muito a possibilidade de surgimento de uma política pública municipal focada no desenvolvimento e crescimento da economia local.


Simplesmente não há recurso!


Por mais dedicado e compromissado que o gestor público seja não dá para fazer milagre e tendo em vista as dificuldades com o nível de qualificação do quadro técnico das prefeituras das cidades com menos de 50.000 habitantes é muito difícil reduzir os gastos dos municípios no curto prazo a ponto de fazer “brotar” algum recurso que possa ser destinado para este fim.


Esperar ajuda do Governo Estadual não é uma opção no momento (Goiás tem um decreto atestando um estado de calamidade financeira) e contar com o Governo Federal também não é possível (a União fechou o exercício do último ano no vermelho – o que já esta virando rotina – e precisa desesperadamente realizar a reforma da Previdência para poder respirar).


Então, o que fazer para promover o desenvolvimento de nossa cidade sem contar com o poder público?


Se “deixarmos acontecer naturalmente” como sempre fizemos, será que Ceres tem capacidade de se desenvolver de forma espontânea?


E aqui apresento o terceiro indicador sobre o qual me referi no início do artigo: O Índice de Desempenho Municipal, calculado pelo Instituto Mauro Borges, vinculado à Secretaria de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás.


Este índice considera seis dimensões específicas: economia, educação, infraestrutura, saúde segurança e trabalho.


Mais uma vez Ceres se sai razoavelmente bem no quadro geral mais tragicamente mal em duas áreas em particular, economia e segurança.


Provavelmente existe muito do “problema” economia que afeta o resultado ruim no que diz respeito à segurança, sendo que a mesma retroalimenta as dificuldades econômicas na medida em que a falta de segurança e o crescimento da criminalidade tem um custo muito alto para a cidade.


Desmembrando o aspecto econômico do índice percebemos que estamos mal em quase tudo, o equilíbrio orçamentário não está bem, o PIB (soma de toda a riqueza produzida na cidade) não entusiasma (escrevi um artigo sobre isso no mês passado) e a economia de Ceres é muito pequena comparada com importantes cidades do estado o que significa que temos pouca escala para “competir” diretamente com os demais municípios.


Se não houver ação no sentido de manter os bons resultados e melhorar aquilo que impede que nossa cidade cresça, é possível que, gradativamente, em um futuro não muito distante, Ceres deixará de ser a cidade pólo que ainda é e vire uma cidadezinha provinciana que não poderá nem mesmo ser considerada bucólica por conta dos sérios problemas sociais decorrentes da atrofia da economia e que deságuam em criminalidade acima da média.


E então, para onde correr?


Ceres não é tão próspera quanto achamos que é e, conforme acabei de demonstrar, por mais bem intencionado que esteja o setor público (em todos os níveis) não está em condições de sozinho fazer frente a este desafio.


Pois bem...


Um grande presidente norte-americano da década de 1960, diante de um momento de crise pelo qual passava os Estados Unidos, em seu discurso à nação afirmou: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.


Nossa cidade, onde moramos, onde nascemos, onde criamos nossos filhos, é onde começa o nosso país para nós, portanto, parafraseando Kennedy, devemos perguntar: O que podemos fazer por nossa cidade?


Será ótimo quanto nós, profissionais liberais, empresários, empreendedores e instituições privadas de nossa cidade, usarmos o enorme potencial que tem o município de Ceres – cidade pólo, referencia em saúde e educação, com mão-de-obra razoavelmente mais bem qualificada que a média do nosso país e com muita gente talentosa freqüentando a faculdade e os cursos técnicos – e começarmos a agir em conjunto em busca de um projeto de cidade.


Não precisamos esperar que façam algo por nós, podemos ser proativos e colaborativos, podemos trabalhar em equipe com o objetivo de crescer juntos!


Por fim, cabe lembrar as palavras do grande nome da Administração de Empresas do século XX, Peter Drucker: “O lucro é o oxigênio das empresas, mas viver é muito mais do que respirar”. Portanto, quando a empresa dedica um pouco do seu tempo e do seu esforço para melhorar a vida das pessoas da cidade onde ela esta, a mesma está fazendo o algo mais que vai além do simplesmente existir para gerar lucro, ela passa a dar um propósito à sua existência.


Pensem nisso.






Econ. Alexandre B. Marques

Economicidade

© 2023 por "Pelo Mundo". Orgulhosamente criado com Wix.com