CERES E RIALMA: PARA ALÉM DA ZONA DE CONFORTO


Quando falamos de desenvolvimento de cidades é preciso ter uma visão ampla do que somos capazes de fazer. Neste sentido, partir diretamente para a ação, sem refletir sobre as características do município, contando apenas com a vontade de que as coisas deem certo, não é suficiente para obter resultados consistentes no médio/longo prazo.


Há algumas semanas escrevi um artigo intitulado “Por que Ceres não cresce e o que fazer para torná-la próspera”. Algumas pessoas que passaram os olhos sobre meus argumentos ficaram com um ponto de interrogação querendo a exposição de alternativas para a cidade e, em decorrência disso, cá estou novamente abordando o assunto.


Primeiro, é importante deixar claro que não dá para pensar no desenvolvimento de Ceres sem levar em consideração a região na qual ela está inserida e, desta forma, ampliando um pouco mais o debate, o cerne do presente artigo vai levar em conta não somente a cidade de Ceres como também sua irmã da outra margem do rio, a cidade de Rialma.


O que me proponho a fazer aqui é esboçar uma rápida análise dos ambientes interno e externo dos dois municípios para preparar terreno para artigos futuros onde as alternativas para o desenvolvimento de Ceres e Rialma serão mais facilmente visualizadas pelos leitores.


É evidente que não será possível esgotar o tema em um único artigo de duas ou três páginas e é obvio que você leitor será capaz de visualizar nuances que passaram despercebidas à minha análise, portanto, fique a vontade para se manifestar apontando argumentos complementares que possam ter escapado à minha leitura.


Então, feitas as considerações, vamos à análise do ambiente interno!


Quando falamos de Ceres, lembramos imediatamente dos hospitais e, por tabela, lembramos das clinicas, farmácias, óticas e laboratórios. Isto forma o que chamamos de Arranjo Produtivo Local de Serviços de Atenção à Saúde sendo este APL uma de nossas forças mais evidentes. Pegando “carona” com este Arranjo, temos os serviços de Educação Profissionalizante e Ensino Superior que se ainda não formam o próprio APL, têm potencial para isso graças às instituições de ensino que possuem suas unidades instaladas aqui. Por conta desta característica, podemos afirmar que tanto Ceres quanto Rialma contam com uma população com um grau de formação acadêmica acima de média do estado de Goiás o que também pode ser interpretado como uma força, pois subentende uma mão-de-obra mais bem qualificada e mais criativa.


Contamos ainda com uma boa oferta de recursos naturais (água) e um clima que, apesar de ser muito quente, viabiliza varias culturas e não impede a exploração de outras tantas. Esta condição geográfica é potencializada pelo acesso à BR-153, nossa principal via de acesso, além da proximidade da Ferrovia Norte-Sul (ainda uma possibilidade) e da existência de uma pista de pouso próxima do Instituto Federal, popularmente conhecida como aeroporto. Tudo isto nos mantém muito próximos do eixo Goiânia-Anápolis-Brasilia o que pode constituir um importante centro para consumo de nossos produtos por meio de uma eventual política de estímulo voltada para a produção do agronegócio.


Ceres ostenta um status de cidade Pólo o que também deve ser considerado uma força que se torna visível quando olhamos para a boa variedade e dimensão do seu comércio e do setor de serviços e a isto, à título de arremate, cabe fazer menção à sua infraestrutura de cidade planejada que, não obstante a deterioração percebida nos últimos anos ainda é boa o bastante para constituir uma força para a economia local.


Virando a moeda para sua outra face, temos que olhar agora para nossas fraquezas, que não são poucas e podem facilmente ofuscar o que temos de melhor.


Falta coesão entre nossas lideranças, ou seja, eles não têm o costume de trabalhar em equipe. A população, por sua vez, parece acomodada “dormindo em berço esplêndido” de um passado “glorioso” que fica cada vez mais distante na medida em que não tomamos as rédeas do desenvolvimento de nossas cidades e deixamos tudo acontecer “naturalmente”. Por conta disso, apresentamos um baixo nível de investimento que faz dobradinha com um baixo nível de geração de emprego e consequentemente promove uma “fuga de talentos” que estimula a saída de nossos jovens para outras localidades com economias mais dinâmicas.


Ainda sobre nossas fraquezas, pesa contra nós o fato de nunca termos realizado um esforço sério e consciente visando o planejamento do desenvolvendo econômico conjunto de Ceres e Rialma, bem como a realidade de que nem mesmo fazemos propaganda do que temos de melhor!


As duas cidades têm sérios problemas sociais (destacadamente vinculados à criminalidade) que refletem o circulo vicioso da baixa geração de emprego e renda e falta de investimentos; carecem ainda de atrativos culturais e de lazer; começam a sofrer com gargalos no trânsito (principalmente Ceres); apresentam sinal de internet e celular de baixa qualidade e imóveis muito caros (na questão imobiliária novamente destaque para o caso de Ceres) o que, juntamente com o preço de eletricidade – que também é elevado – e com a falta de qualificação de algumas setores da economia local, constituem fatores inibidores da atração de empreendimentos externos para os dois municípios.


Mais não desanime! Se você conseguiu se manter firme até aqui, merece uma conclusão mais animadora e para que isso aconteça, vamos analisar o ambiente externo, ou seja, nossas oportunidade e as ameaças que precisamos enfrentar.


A BR e a Norte-Sul são oportunidades importantes que são lembradas de imediato. Podemos explorar muitas oportunidades logísticas e de marketing a partir destas vias.


Nossa região (Vale de São Patrício) é muito bonita e tranquila no meio rural, podemos aproveitar o potencial turístico, particularmente o eco-turismo rural usando como base as cidades de Ceres e Rialma e aproveitando as propriedades rurais com estrutura para isto existentes nos municípios vizinhos criando roteiros voltados para o público proveniente de Brasília e Goiânia, por exemplo.


O Arranjo Produtivo de Saúde juntamente com as Instituições de Ensino Superior podem trabalhar em conjunto para atrair novos talentos e talentos “veteranos” para fortalecer ainda mais nosso potencial nessas áreas, sendo que as Faculdades e a sociedade acadêmica podem se articular – em equipe – para celebrar parcerias visando à criação de startups nas áreas de tecnologia e agronegócios. Acreditem, contamos com gente capacitada e com potencial para isto! Basta as instituições somarem forças ao invés de competirem entre si!


Além disso, Ceres, com seu status de Cidade Pólo, tem potencial para agregar os demais municípios da região desde que tenha um plano para isso.


Por outro lado, as duas principais ameaças com as quais temos que ter cuidado e que podem nos engolir, consistem na falta de investimento por parte dos governos em todos os seus níveis, tal qual explica o artigo sobre o qual comentei no início deste texto e a perca de importância de Ceres para a região, o que se torna cada vez mais ameaçador na medida em que não fazemos nada para mudar as coisas.


Pois bem, nossa conversa já está se estendendo para além do que caberia em um artigo e, portanto, vou ficando por aqui.


Conforme alertei de início, esta análise não esgota o assunto mais serve para estimular o debate e fornece munição para artigos futuros.


Vamos trabalhar juntos, empresas, instituições, profissionais liberais, empreendedores para que Ceres e Rialma cresçam de forma sustentável e inteligente. É possível, basta sairmos da zona de conforto!

Econ. Alexandre B. Marques

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