ENTREVISTA COM CLEITON MATEUS SOUSA, DIRETOR GERAL DO INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CAMPUS CERES



Na direção de uma das mais importantes instituições de ensino da região do Vale de São Patrício, nesta entrevista, realizada por economicaidade.com via e-mail, o Prof. Doutor em Fitotecnia, Cleiton Mateus Sousa avalia a atual situação do Campus Ceres do Instituto Federal Goiano e aponta os rumos que o IF deve seguir no decorrer dos próximos anos.


ECONOMICIDADE.COM: Recentemente o MEC anunciou um corte significativo no orçamento das Instituições de Ensino Superior vinculadas ao Governo Federal. Qual a sua opinião a respeito e qual o impacto desse corte nas atividades e planos do Campus de Ceres?


CLEITON: Apesar do foco concentrar nas IES, outras instituições também foram afetadas, inclusive a educação básica. O corte proposto para o IF Goiano chega a 40% no custeio e no investimento. Ressalto que o orçamento de investimento do Campus que já era muito reduzido, inviabilizando a construção de novos prédios e aquisição de equipamentos para melhorar nossa infraestrutura.

Um corte no orçamento na ordem de 40%, sem aviso prévio, inviabiliza qualquer administração. Estamos no mês de maio, já passou 1/3 do ano, período em que já tivemos muitos gastos para manter a instituição, principalmente com contratos de vigilância, limpeza, energia elétrica, apoio aos estudantes com alimentação e moradia, além de outros contratos permanentes, e agora recebemos a informação de um corte de 40% no seu orçamento. Traçando um paralelo com o cidadão trabalhador, é como se no dia 10 do mês corrente o cidadão recebesse a informação do patrão de que naquele mês ele terá um corte de 40% no seu salário! Será que ele consegue ajustar suas contas? Assim é a nossa situação atual no IF Goiano - Campus Ceres.

Acredito na sensatez, no compromisso do Governo Federal com a sociedade, e que irá (re)fazer uma análise minuciosa, considerando a realidade das instituições. Acredito que irá rever a situação e cancelar/suspender o corte anunciado. É o mais prudente nesse momento. Pois caso mantenha, infelizmente, o Campus Ceres, assim como as demais instituições, não terá condições orçamentárias para garantir as atividades didático-pedagógicas previstas para 2019, e muito menos para os contratos firmados com empresas prestadoras de serviços.

Será um prejuízo muito grande à sociedade. Não iremos conseguir manter nossa instituição funcionando em condições adequadas para ofertar educação profissional tecnológica com qualidade à nossa comunidade. Além disso, inviabiliza os projetos de ensino, de pesquisa e de extensão, muitos deles sendo executados em parceria com empresas, entidades da região, e consequentemente iremos perder essas oportunidades de interagir com a sociedade em busca de soluções para problemas.

Nós temos um documento PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional), disponível em https://www.ifgoiano.edu.br/home/index.php/pdi-2019-2023.html, que foi construído no coletivo, com participação de servidores, estudantes e a comunidade, que norteia nossas ações para os próximos anos. Diante dessa situação, com certeza não teremos condições de atender o que propusemos nesse plano. O não cumprimento do nosso PDI vai limitar as ações, reduzir as ofertas de cursos, atividades que ofertamos à sociedade. Iremos deixar de aproveitar o nosso potencial de contribuir com o desenvolvimento da região e não vamos atender as expectativas da comunidade da atuação do IF Goiano - Campus Ceres.


ECONOMICIDADE.COM: Atualmente, o debate sobre o desenvolvimento econômico do país tem atribuído muita ênfase à importância das Instituições de Ensino Superior como agentes promotores desse desenvolvimento. Cita-se bastante o caso da Coréia do Sul onde as faculdades estão integradas às empresas atuando em conjunto em diversos projetos. Esse modelo poderia ser replicado no Brasil? O Instituto Federal projeta ações nesse sentido?


CLEITON: É um modelo que eu acredito que seja viável para contribuir com o desenvolvimento econômico regional e do País. O IF Goiano já vem atuando em parcerias com empresas em busca de novas tecnologias, serviços e produtos, assim como para capacitar servidores das empresas com os nossos Mestrados Profissionais. Assim, esse modelo já vem sendo “replicado” e os Institutos Federais são os grandes potenciais para impulsionar o desenvolvimento regional com as ações da educação profissional tecnológica, entre elas o desenvolvimento de projetos de pesquisa, inovação e extensão junto às empresas.


ECONOMICIDADE.COM: Outro aspecto importante da econômica de nosso país é o agronegócio. Nossa região ainda não possui tanta força nessa área. Como os empreendedores podem contar com o Instituto Federal para desenvolver o agronegócio aqui no Vale de São Patrício?


CLEITON: O IF Goiano está à disposição da sociedade para ofertar educação profissional tecnológica, desenvolver projetos de pesquisa, inovação e extensão em parcerias. Assim, as propostas empreendedoras, inovadoras podem ser amparadas, motivadas e validadas no Campus Ceres, com envolvimento de estudantes, servidores e os demais interessados.

Acredito que temos condições de contribuir significativamente com estas ações, até mesmo que já desenvolvemos vários projetos em parcerias para definir melhores estratégias para produção agropecuária, assim como para obter material genético adaptado às nossas condições.


ECONOMICIDADE.COM: A integração entre as instituições de ensino de nível superior e a comunidade é muito importante para que as mesmas possam, de fato, estimular o desenvolvimento local. Nesse sentido, quais são os planos do Campus de Ceres para o próximo semestre?


CLEITON: Creio que a integração é a melhor estratégia para otimizar nossos recursos e contribuir, no coletivo, com o desenvolvimento da nossa região. Nesse sentido, temos várias ações no nosso calendário acadêmico no segundo semestre, entretanto, com o corte anunciado, dificilmente teremos condições de realizarmos as ações previstas.

Entre as ações, destaca-se:

1 - VI Dia de Campo de Equoterapia;

2 - II Seminário da Permanência e Êxito das Instituições Públicas de Ensino em Goiás;

3 - VIII Congresso Estadual de Iniciação Científica e Tecnológica;

4 - IV Simpósio de Extensão do IF Goiano e VI Mostra de Extensão do Campus Ceres;

5 - XX Feira de Ciência e Tecnologia do Campus Ceres do IF Goiano;

6 - III Semana de Arte e Cultura;

7 – VI Feira da Diversidade Cultural; e o

8 – Empreentec 2019.

Todas essas ações são programadas para atender nossos estudantes, servidores e comunidade. Estas ações dispensam as viagens dos nossos estudantes, servidores e da comunidade em geral aos grandes centros para ter acesso a palestras, oficinas, minicursos em diversas áreas do conhecimento. Esse é um dos papeis dos IFs! Interiorizar o conhecimento, a ciência, e em consequência, contribuir com o desenvolvimento da nossa região.


ECONOMICIDADE.COM: Olhando para o futuro, como o senhor visualiza o Instituto Federal Campus Ceres daqui dez anos?


CLEITON: Nós somos executores de políticas públicas! O nosso sucesso, crescimento, expansão, assim como nosso fracasso ou estagnação, depende das políticas públicas.

É notório os avanços que tivemos nos últimos anos. O avanço ocorreu com a liberação de recursos orçamentários para construção de novos prédios, a


quisição de equipamentos, estruturação de laboratórios. Além dos avanços na estrutura física, destaco a grande importância que tivemos na contratação de novos servidores, assim como no investimento na capacitação, o que garantiu implantar cinco cursos de graduação e três de pós-graduação nos últimos 10 anos no Campus Ceres.

Assim, caso mantenha esses investimentos para os IFs, tenho certeza que o Campus Ceres terá grandes avanços nos próximos 10 anos! Avanços além dos cursos ofertados, pois temos muitos servidores altamente qualificados para desenvolver atividades de ensino, extensão, pesquisa e inovação junto à comunidade! A comunidade terá grandes benefícios.

Vale ressaltar que educação jamais deve ser considerada como gasto, e sim investimento, e que os países desenvolvidos têm a experiência exitosa de investir em educação e na pesquisa científica e tecnológica.

Assim, acredito que daqui 10 anos, o IF Goiano – Campus Ceres proporcionará várias oportunidades para a Educação Profissional Tecnológica e contribuirá de forma expressiva com o desenvolvimento regional com as ações de pesquisas aplicada, inovação e extensão.

Econ. Alexandre B. Marques

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