FERRAMENTAS PARA ANÁLISE DA ECONOMIA LOCAL


É muito importante para qualquer gestor independente em que área ele esteja atuando, poder contar com indicadores capazes de demonstrar como está o “humor” do mercado.


Para isso existe uma série de índices que podem ajudar, todavia, a maioria deles é de abrangência nacional e os que informam sobre a economia local – normalmente – levam mais tempo para serem atualizados o que dificulta a percepção (em números) do momento atual. Ou seja, você pode até encontrar informações de abrangência municipal mais elas podem estar informando sobre a situação de dois anos atrás o que não resolve quando estamos preocupados com o “aqui e agora”.


Preocupado em tentar encontra uma solução para esse problema acabei me deparando com o acervo estatístico do Banco Central disponível em https://www.bcb.gov.br onde podemos encontrar a Estatística Bancária Mensal por Município que oferece informações muito úteis para tomada de decisão.


Hoje, 05 de julho de 2019, é possível ter acesso a relatórios referentes ao mês de abril, o que constitui base informacional bastante atualizada. Além disso, existe a disposição uma extensa série histórica que pode ser usada para comparar a evolução dos números ao longo do tempo.


Mais, de quais números estou falando?


Nestes relatórios do Banco Central é possível saber, entre outras coisas, qual a quantidade de dinheiro depositado em conta poupança em cada agencia bancária da cidade, o somatório dos saldos em conta corrente, o montante de empréstimos concedidos no mês etc.


Desta forma, se percebemos que há um crescimento real no volume de dinheiro guardado em poupança em nossa cidade, podemos deduzir que a economia local está melhorando, uma vez que as pessoas estão conseguindo aumentar suas reservas para o futuro; se acontece um crescimento na quantidade de recursos depositados em conta corrente, somando ao total de capital em poupança, podemos deduzir que houve um aumento na liquidez do mercado local, ou seja, tem mais dinheiro disponível para circular na praça. Da mesma forma, se vemos no relatório que houve elevação no quantitativo de contas correntes com saldo negativo podemos supor que a inadimplência no mercado local tende a crescer; ainda apoiando neste raciocínio, se observarmos no relatório do Banco Central que ocorreu queda na oferta de crédito imobiliário, por exemplo, podemos supor uma possível tendência de contração do mercado de imóveis e assim por diante.


As possibilidades de análise são enormes e se você puder contar com um profissional da área de economia para auxiliá-lo a interpretar os números e compreender para onde eles estão apontando é possível ter uma fotografia da situação da economia local quase que em tempo real!


A título de exemplo, podemos observar que, no caso de Ceres (cidade onde reside o autor deste artigo), em abril deste ano o total de dinheiro depositado em conta poupança nas quatro agências bancárias da cidade era de R$ 134.553.615,00 e que há exatamente um ano, esse mesmo indicador informava uma poupança de R$ 127.078.355,00. Considerando que a inflação oficial no mesmo período foi de 4,6% e qua a taxa de crescimento médio da população da região, segundo o IBGE é de pouco menos que 0,8% ao ano, podemos dizer que a reserva de poupança na economia local está estável, ou seja, não estamos mais ricos e nem empobrecemos no decorrer dos últimos 12 meses.


Ainda no caso de Ceres, é importante ter em mente que estamos falando de uma cidade pólo típica que atende com serviços não somente a seus moradores como uma boa parcela da população das cidades vizinhas, portanto, na hora de analisar estes números é importante considerar a microrregião como um todo e não somente a cidade em si.


Essa metodologia pode ser aplicada em qualquer cidade brasileira e podemos combinar essa base informacional com outros bancos de dados interessantes como o do Ministério do Trabalho e do CAGED que também informam dados atualizados, assim, as empresas podem estudar as tendências do mercado de forma bastante atualizada e secretários e prefeitos municipais interessados no desenvolvimento econômico de seus municípios podem avaliar se as políticas públicas que estão empreendendo estão, de fato, rendendo os resultados esperados.


Para mais detalhes a respeito, fico a disposição dos leitores.

Econ. Alexandre B. Marques

Economicidade

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