EMPOBRECENDO OU FICANDO BEM NA FITA? Como as economias de Ceres, Goianésia, Itapaci e Itapuranga se



O Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador econômico que contabiliza a soma de toda a riqueza que foi gerada em um lugar durante um determinado período de tempo.


Teoricamente, quanto maior o PIB por habitante, mais rico é o lugar.


Ao mesmo tempo, quanto maior o PIB total, maior é o tamanho da economia.


Quando o Produto Interno Bruto diminui, dizemos que o país está em recessão. Quando o PIB cai sucessivas vezes durante um longo período de tempo, dizemos que estamos vivendo um período de depressão.


No caso do Brasil, podemos dizer que vivemos uma recessão que, por muito pouco, não virou depressão e que agora está vivendo um tímido processo de recuperação.


O Instituto Mauro Borges, fazendo uso dos números levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apura o desempenho do PIB Municipal sendo que o último resultado oficial faz referência ao ano de 2.016.


No caso da Microrregião de Ceres, as quatro maiores cidades apresentaram em 2.016 os seguintes resultados:


Goianésia: R$ 1.241.028.000,00

Itapuranga: R$ 386.512.000,00

Itapaci: R$ 324.397.000,00

Ceres: R$ 499.511.000,00


O desafio a que me propus foi tentar estimar o Produto Interno Bruto Municipal dessas quatro cidades nos dias de hoje, ou seja, em 2.019.


Qual teria sido o desempenho dessas quatro economias no decorrer dos últimos três anos?


Para fazer o cálculo considerei três variáveis que tem influência direta sobre a geração de riqueza ou que refletem diretamente as consequências da mesma. São elas:


01) População: Teoricamente, o PIB tende a crescer mais ou menos próximo do crescimento da população. Portanto, se a população do município está crescendo, é possível que o PIB municipal também esteja. Afinal, as pessoas “votam com os pés”, ou seja, se a cidade não está bem, a população começa a migrar para outras cidades onde existem mais e melhores oportunidades.


02) Consumo total de energia elétrica: É possível supor que quanto maior o consumo de eletricidade em uma cidade, maior tem sido o montante da riqueza produzida no lugar. Em outras palavras, se as pessoas estão mais ricas, eles compram mais aparelhos eletrônicos e consomem mais eletricidade, além disso, se há mais demanda, as fábricas e lojas ficam abertas por mais tempo o que também estimula consumo de energia elétrica, portanto, se o consumo de energia elétrica total da cidade apresenta tendência de crescimento, é provável que a economia local esteja crescendo.


03) Quantidade de gente trabalhando com carteira assinada: Quando mais pessoas estão empregadas, mais ativa deve estar a economia.


Com base em dados estatísticos disponíveis no site do Instituto Mauro Borges <http://www.imb.go.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=91&Itemid=219> e fazendo uso de matemática para estudar da tendência dos números, cheguei as seguintes conclusões:


O PIB de Ceres em 2019 deve ter atingido algo próximo de R$ 511.270.000,00, o que, levando em conta a inflação acumulada nos últimos três anos, significa dizer que a economia da cidade encolheu 7%. O que mais pesou para indicar esse cenário de estagnação foi o baixo crescimento populacional que de 2016 para cá foi de apenas 0,7%.


A economia de Goianésia nos últimos três anos registro crescimento real de 6%, o que está um pouco acima do crescimento acumulado do PIB nacional nos últimos três anos. A minha estimativa para o Produto Interno Bruto do município é de que hoje, o mesmo seja de R$ 1.441.632.000,00. O fator que parece ter a maior parcela de contribuição para o resultado foi a geração de emprego verificada no período.


Itapaci superou Goianésia em matéria de taxa de crescimento da economia. Estando corretos os meus cálculos, a estimativa indica que o PIB da cidade deve ter exibido um crescimento real, ou seja, suprimida a inflação, de 7% ao longo dos últimos três anos. Isso significa que o PIB de Itapaci em 2019 deve atingir um total próximo de R$ 380.293.000,00. Nesse ritmo, caso a cidade de Ceres apresente o mesmo desempenho nos próximos anos, a economia de Itapaci superará a de Ceres em temos de tamanho até o ano de 2026. No caso de Itapaci, o destaque maior foi a forte tendência de crescimento do emprego formal e a tendência de crescimento do consumo de energia elétrica, ambos indicadores de aquecimento da atividade econômica.


Os números de Itapuranga, por sua vez foram os mais preocupantes. A população do município – segundo o IBGE – caiu 3,2% e hoje é de 25.768 habitantes (844 pessoas a menos do que existia em 2016); a tendência do consumo de eletricidade é de queda acentuada de 23,4% e a quantidade de gente empregada com carteira assinada aponta para provável queda de 10,8% em comparação com 2016. Todas as variáveis que usei sugeriram uma piora do desempenho da economia resultando uma estimativa de PIB municipal de R$ 213.997.000,00. (Espero sinceramente que minha conta – nesse caso – esteja errada).


Outros municípios importantes da região, como Rubiataba e Uruana, também apresentaram números que insinuam contração da economia local, o que reforça a tese de que a Microrregião de Ceres (também conhecida como Vale de São Patrício) é uma área geográfica em situação de estagnação econômica. Posição defendida por órgãos de Planejamento dos governos Federal e Estadual assim como pelo BNDES e pelo FCO (basta ler seus manuais e informes).


Cabe aos candidatos ao executivo municipal a formulação de estratégias mais realistas e responsáveis para, de fato, caso sejam eleitos, pôr em prática ações efetivas capazes de promover o crescimento econômico de seus municípios e reverter este quadro.



P.S.: Caso alguém queira mais detalhes sobre a metodologia de cálculo utilizada para projetar as estimativas estou à disposição em viabilidadeeconomica@gmail.com.

Econ. Alexandre B. Marques

Economicidade

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