EMPREGO E RENDA E CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO DE CERES E RIALMA

Em uma democracia, onde o direito de ir e vir permite o deslocamento dos trabalhadores de uma cidade para a outra, é válida a afirmação de que as pessoas “votam” com os pés. Ou seja, existe a tendência da força de trabalho se deslocar para as cidades mais dinâmicas, ao mesmo tempo em que as cidades estagnadas tendem a perder seus moradores posto que não oferecem as condições necessárias para a manutenção dos projetos de vida de seus moradores.

 

Quando observamos os casos de Ceres e Rialma vemos o seguinte:

 

Em 2009, segundo estimativa do IBGE, a população de Ceres era de 19.069 habitantes e Rialma contabilizava 10.911 moradores. Dez anos depois, em 2019 (última estimativa oficial disponibilizado pelo IBGE), a população de Ceres estava 16,4% maior, alcançando 22.191 habitantes e Rialma não havia registrado variação significativa no quantitativo de seus moradores, contando atualmente com 10.918 residentes.

 

Esses números me deixaram um pouco intrigado e, por conta disso, procurei aprofundar um pouco mais a minha pesquisa.

 

Neste sentido, pude verificar (ainda fazendo uso dos dados do IBGE) que o melhor ano da década passada em termos de crescimento populacional, tanto em Ceres quanto em Rialma, foi 2013 quando a população de Ceres cresceu 3,5% em relação a 2012 e a de Rialma, no mesmo período, cresceu 3,1%. Por outro lado, o pior resultado foi o verificado em 2018, quando, tanto Ceres quanto Rialma “encolheram” – Ceres (-0,4%) e Rialma (-1,3%). Em um ano normal, a população de Ceres costuma crescer 0,5% e a de Rialma apresenta taxa de crescimento de 0,3%, sendo que, na atual gestão (últimos três anos) o número de residentes em Ceres cresceu apenas 0,7% e o número de residentes em Rialma diminuiu 0,8%.

 

Olhando para Goiás como um todo, em 2009, a população do estado era de 5.926.300 habitantes e, em 2019, totalizamos 7.018.354 moradores. Isto significa que, no decorrer de uma década, a população cresceu 18,4%.

 

Em termos de emprego e renda entre 2009 e 2018 (segundo o banco de dados do Instituto Mauro Borges), foram criados em Ceres 1.371 novos empregos (média de 137 por ano) e o rendimento médio do trabalhador ceresino é atualmente de R$ 2.364,17. Rialma, no mesmo período gerou 137 novos empregos, a imensa maioria recuperada em 2018 (melhor ano de Rialma na série histórica) e a renda média do trabalhador rialmense é de R$ 1.697,20. Já em termos de Estado de Goiás, foram criados no período considerado 217.131 empregos e o rendimento médio do trabalhador goiano é de R$ 2.605,73 (valor “puxado” pelos grandes centros).

 

0 que estes números me disseram?

 

Ao contrário do que se imagina, quando confrontamos os números, vemos que Ceres gerou uma quantidade relativamente boa de novos empregos no decorrer da última década, não obstante ter perdido o fôlego nos últimos anos. O que precisa melhorar, restringindo a análise apenas ao tema deste artigo, é o nível de renda que ainda é inferior à média estadual. Como Ceres tem um índice de desenvolvimento um pouco mais elevado, e considerando que, mesmo assim, tem um crescimento populacional abaixo da média do estado, podemos desconfiar de problemas tais como a significativa desigualdade social, a necessidade de diversificar um pouco mais a economia local e o relativamente elevado custo de vida como fatores que “expulsam” moradores e fazem com que Ceres cresça menos.

 

Já no que diz respeito a Rialma, o problema está tanto na baixa geração de emprego, quanto no baixo nível da renda. A década passada não foi boa para Rialma que, somente agora, conseguiu recuperar os empregos perdidos no decorrer dos primeiros anos do século XXI. Permanecendo a política atual de atração de novos empreendimentos para a cidade, é possível que o fator emprego seja revertido. Por outro lado, os salários baixos são, sem dúvida, entrave ao crescimento da cidade. Neste sentido, a diversificação da economia local deve vir acompanhada da qualificação da mão de obra e no esforço melhorar os indicadores sociais (principalmente educação) da cidade.

 

Eis aí, uma síntese de parte dos desafios que os próximos gestores das duas cidades terão pela frente.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Econ. Alexandre B. Marques

© 2023 por "Pelo Mundo". Orgulhosamente criado com Wix.com

Economicidade