A ECONOMIA DE CERES NÃO CRESCE HÁ TRÊS ANOS


Antes mesmo da Pandemia de COVID-19 virar a economia mundial de cabeça para baixo, a economia da cidade de Ceres já andava muito mal das pernas.


Uma evidência disso está no fato de que a população da cidade, que em 2017 (segundo o IBGE) era de 22.155 hab. chegou a 2020 com 22.306 hab. o que significa um crescimento de apenas 0,7%, indicando que Ceres não tem conseguido reter moradores, sendo que parte de sua população economicamente ativa tende a migrar para outras localidades com economias mais dinâmicas.


Quando olhamos para o PIB – Produto Interno Bruto, que – de forma simplificada – consiste na soma das riquezas geradas em uma cidade, país ou região; dispomos de números oficiais para o município de Ceres até o ano de 2018.


Para calcular a estimativa do crescimento da economia da cidade para os anos de 2019 e 2020, Economicidade.com valeu-se da enorme relação existente entre o consumo de energia elétrica e o PIB, o que indicou que em 2020 o Produto Interno Bruto de Ceres deve ter atingido um total de R$ 568.399.000,00.


Se considerarmos que em 2015, o PIB da cidade era de R$ 476.072.000,00 e que de 2015 para cá, a inflação acumulada foi de 18,5%, podemos afirmar que a economia de Ceres hoje é 2,8% menor do que era há cinco anos.


O gráfico abaixo ilustra o percentual de crescimento da economia da cidade de Ceres entre 2016 e 2020.

A boa notícia é que, aparentemente, o tombo da economia nacional verificado em 2020 parece não ter sido tão grande em nossa cidade, que tem como principal referência o setor de serviços de atenção à saúde, setor este que contou com notáveis sinais de fortalecimento nos últimos anos.


Por outro lado, a sequência de três anos seguidos de redução da atividade econômica é indício de depressão, o que constitui motivo de preocupação para qualquer um.


A realidade dos fatos, somada às dificuldades decorrentes da pandemia, constitui um desafio não somente para os gestores públicos como também para o empresariado local. Fazer mais do mesmo, parece não ser suficiente para ativar a economia ceresina. É necessário que haja proatividade, planejamento e estratégia por parte de todos os atores econômicos.


Também é preciso ter em mente que não se transforma a economia de uma cidade com um passe de mágica!


Qualquer iniciativa, pública, privada ou de parceria, focada na tentativa de mudar esse cenário vai levar tempo, possivelmente décadas para garantir um crescimento sustentável para Ceres e região. O que importa no momento é ser criativo, buscar soluções, criar políticas públicas focadas no crescimento e ter maturidade para dar seguimento aos planos no médio e no longo prazo.



Econ. Alexandre Bouças Marques

alexandrebmeconomista@gmail.com

Econ. Alexandre B. Marques