ARMADILHAS, FÓRMULAS MÁGICAS E IMEDIATISMO: O RISCO DE JOGAR A ESTRATÉGIA NA LATA DE LIXO




Imagine que você foi ao médico, fez uma série de exames e, ao analisar os resultados, o doutor conclui que você precisa tomar um complexo vitamínico todos os dias, durante um mês.


Você então vai à farmácia, verifica o preço do medicamento e acha muito caro.


Então vem a ideia “brilhante” de reduzir a dosagem do medicamento por conta própria, digamos que, ao invés de tomar um comprimido por dia como recomendado pelo médico, você passe a tomar a tal vitamina apenas uma vez por semana, no máximo duas vezes, acreditando que a dosagem será suficiente para resolver o seu problema.


Acontece que no final do mês você volta ao médico alegando não ter melhorado e afirmando que o complexo vitamínico recomendado não era bom o bastante.


Por fim, o médico pede novos exames e constata que seu estado de saúde piorou, o que é estranho, uma vez que o medicamento em questão já havia sido testado em outros pacientes em diversas partes do mundo e o efeito esperado, na dosagem correta, sempre entrega bons resultados.


No final das contas, você conclui que o doutor errou o diagnóstico e abandona o tratamento buscando resolver o problema a seu modo.


A atitude descrita acima parece racional para você?


A escolha que você tomou, de reduzir a dosagem da vitamina por conta própria, pode ser considerada uma boa estratégia?


Pois bem... Isso ilustra o que acontece com uma organização (empresa, prefeitura, ONG etc.) quando negligencia o acompanhamento da execução do planejamento estratégico.


Quando você reúne a equipe realiza uma bela tempestade de ideias, levanta informações e estabelece um plano para o ano inteiro, tira foto, posta nas redes sociais e, no dia seguinte, ainda movido pela emoção, acredita que o próximo ano será fantástico. Então, a compilação do planejamento chega em suas mãos e você guarda tudo bem guardado na gaveta e esquece que ele existe.


Fazendo isso você está agindo da mesma forma como descrito no início deste breve artigo.


O acompanhamento mensal da eficácia do plano estratégico e da evolução dos números (indicadores) é justamente a vitamina necessária para que as deficiências e potencialidades da organização percebidas no diagnóstico realizado por ocasião da reunião de planejamento sejam adequadamente tratados.


Se você deixa de acompanhar o plano ou realiza um acompanhamento insuficiente, corre o risco de perder tempo e pode cair em um ciclo vicioso de fazer de conta que possui um plano enquanto a equipe faz de conta que executa o mesmo!


Veja, se você esperar um semestre para verificar se o plano está sendo feito ou se ele está atingindo os resultados esperados, quando você parar para verificar já terá perdido metade do ano e provavelmente não terá tempo suficiente para rever as ações e mudar de rota, e então, chegará a conclusão que perdeu tempo e dinheiro com algo que não funciona.


É muito comum cair nessa armadilha, porém, não há fórmula mágica e a coisa não é tão complicada quanto parece, basta criar o hábito! Uma reunião mensal de – no máximo – duas horas, focada no cronograma de execução e nos indicadores, estabelecendo ações corretivas e/ou preventivas quando necessárias, podem salvar sua organização e levá-la para um outro patamar.


Experimente!

Econ. Alexandre B. Marques