AS QUATRO MANEIRAS DE VER O MUNDO ORGANIZACIONAL


Revendo os ensinamentos do professor Chiavenato a respeito da visão estratégica dos gestores, deparei-me com um esquema bastante interessante que ilustra as quatro maneiras de se perceber o mundo organizacional.


A primeira delas é a visão sistêmica, também conhecida como visão holística, que permite que o gestor compreenda a organização como um todo. Consiste em uma perspectiva macro que observa a organização como um grande sistema. Em outras palavras, quando o gestor faz uso da visão sistêmica ele consegue perceber as interrelações entre as partes que compõe o todo e é capaz de visualizar o resultado final como algo que vai muito além da soma das partes, ou seja, ele vê a exuberância da floresta ao invés de se ater à especificidade das árvores.


Em seguida temos a visão antecipatória. Por meio dela, o gestor deve ser capaz de projetar as possíveis consequências de suas escolhas, consistindo, portanto, na visão de futuro. Essa maneira de perceber a organização é muito importante para a gestão dos riscos e das oportunidades, permitindo então que o estrategista consiga se antecipar aos fatos, estabelecendo planos de ação para as mais diversas situações, saindo do reativo e evoluindo para o proativo.


Na sequência temos a visão periférica. Essa perspectiva de análise compreende o ambiente no qual a organização está atuando. Gosto de me referir a ela como a perspectiva do jogador de xadrez que observa a posição das peças no tabuleiro e consegue antever as jogadas do seu oponente. No mundo organizacional, essa perspectiva visualiza o ambiente externo e capta as tendências, os movimentos dos concorrentes, das partes interessadas e dos diversos fatores que podem afetar as atividades desenvolvidas pelo empreendimento.


Por fim, temos a mais criativa das perspectivas, responsável por entender para onde a organização pretende ir e vislumbrar os caminhos por meio dos quais ele chegará em seu objetivo final. Essa visão é conhecida por insight ou, passando para o português, intuição.


Nenhuma das quatro visões conseguem resultados interessantes quando tratadas isoladamente. Se o gestor desenvolve mais uma delas e negligencia as outras, o produto final certamente não será tão assertivo. É fundamental que todas elas, a visão sistêmica, a visão antecipatória, a visão periférica e a intuição trabalhem juntas, para que uma potencialize o resultado da outra.


Quando desenvolvemos o Planejamento Estratégico de uma organização, independente se pública, privada ou terceiro setor, fazemos uso de ferramentas de análise que propiciam exatamente essa sinergia que, quando administrada de forma adequada, pode conduzir o empreendimento a resultados surpreendentes. Daí a importância de um planejamento de verdade.


Econ. Alexandre Bouças Marques

alexandrebmeconomista@gmail.com

Econ. Alexandre B. Marques