CERES: O CAMINHO PARA A RETOMADA DO CRESCIMENTO



Uma forma simples de medir se a cidade está indo bem ou não, é dar uma olhada no site do CAGED – Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados e verificar o saldo de empregos gerados na cidade.

Em 2020, até o momento, o saldo está negativo em 15 empregos, ou seja, as empresas de Ceres estão demitindo mais do que contratando, em outras palavras, a situação da nossa cidade não é boa.

O desafio que se apresenta para os próximos anos é enorme e não haverá espaço para amadorismo.

Também não vai adiantar fazer mais do mesmo e esperar que as coisas deem certo.

A administração pública municipal precisa se modernizar, e necessita, sem a menor sombra de dúvida, de um planejamento de verdade.

Não estou falando de uma peça figurativa, apenas para atender a exigência legal ou para aparecer na foto se fazendo de bom administrador. Refiro-me às boas praticas de planejamento estratégico, um planejamento que não fica apenas no papel, que possui objetivos claros e indicadores como referência para medir os resultados. Estou falando de uma gestão baseada em fatos e não em achismos.

A economia da cidade precisa ser estimulada de forma assertiva.

O que pretendo dizer com isso?

Quero dizer que as ações, as estratégias precisam estar focadas naquilo que Ceres tem de melhor. Não precisamos reinventar a roda! Não há necessidade de ideias mirabolantes que fazem muito barulho, mas que não resolvem o problema.

Quando um gestor público tenta promover o desenvolvimento da cidade sem uma análise realista do que é a cidade, a tendência é o desperdício de energia com sonhos inatingíveis no momento.

É necessário pragmatismo. Em outras palavras, é necessário ter os pés no chão. Nestes termos, ter experiência de governo com bons resultados comprovados, e contar com um quadro técnico bem capacitado é muito importante.

Os próximos anos, não somente para Ceres como também para a imensa maioria das cidades brasileiras, será de muito aperto.

A recuperação da economia nacional vai ser mais demorada do que prevê o Governo Federal, provavelmente, teremos um empobrecimento da população somado ao crescimento da desigualdade social. Isso vai elevar a pressão sobre os cofres da prefeitura que terá que arcar com um crescimento das demandas sociais decorrentes a pandemia de COVID-19 e a elevação do número de pessoa em situação de vulnerabilidade social.

A necessidade de direcionar recursos para a saúde também tende a crescer cada vez mais e por diversos motivos (pandemia, envelhecimento da população, elevação dos preços dos medicamentos etc.).

A demanda por salas de aula para atender as crianças de nossa cidade é outro fator que irá exercer forte pressão sobre o erário público municipal. Essa pressão sempre existiu e não será agora que irá diminuir.

Além de tudo isso, cabe lembrar que existe o desafio de infraestrutura (leia-se asfalto) assunto do qual nenhum prefeito consegue escapar, e a necessidade de manter o controle sobre os gastos da prefeitura (leia-se folha de pagamento e contratos com terceirizados).

Para completar o cenário. Como a economia da cidade não está bem, aliás, a economia do país como um todo não está lá essas coisas, (segundo os analistas dos maiores bancos do país vamos levar uns dois anos para voltarmos ao nível em que estávamos no começo de 2020), a arrecadação do município – independente de sua origem – tenderá a crescer pouco ou até diminuir. O que significa que o biênio 2021-2022 não será um mar de rosas para nenhum prefeito em parte alguma do Brasil.

Uma solução fácil (que não funciona no médio prazo) é tentar elevar impostos.

A economia da cidade não vai aceitar bem uma elevação da carga de tributos, a tendência seria perda de competitividade e o efeito contrário sobre a arrecadação, ou seja, dependendo da dosagem (ainda que pequena), a inadimplência e a perda de empresas faria com que a receita municipal diminuísse ao invés de crescer. O efeito colateral do remédio mataria o paciente!

Buscar recursos da União e do Estado é sempre uma boa opção e isso exige dinamismo e habilidade de quem governa, porém, não resolve o problema.

O caminho é o ajuste pelo lado da despesa, controlando os gastos e qualificando a equipe para torná-la mais eficiente e, ao mesmo tempo, estimular o crescimento da economia (de maneira planejada) para, desta forma, com o crescimento da atividade econômica, ampliar naturalmente a base de arrecadação dos impostos sem ter que sacrificar ainda mais quem faz negócios e presta serviços em nossa cidade.

Esse estímulo à economia envolve um bom trabalho de marketing, promovendo a cidade e uma análise aprofundada do potencial da cidade para torná-la ainda melhor naquilo em que ela já é boa e dessa forma ampliar a importância de Ceres na região, fazendo assim com que mais cidades passem a buscar produtos e serviços em nosso município.

Não se trata de oferecer mais do mesmo. É preciso planejar seriamente o futuro, ser austero (muito cuidadoso com o dinheiro) nos primeiros dois anos de governo, fazer um planejamento de alto nível em 2021 e monitorar realisticamente a execução do mesmo no decorrer dos três anos seguintes, modificando sempre que necessário as estratégias para chegar nos resultados esperados.

Se o próximo governante não contar com uma equipe tecnicamente qualificada para auxiliá-lo nessa tarefa, o receituário padrão dos últimos anos não será suficiente para fazer Ceres crescer e nossa cidade continuará perdendo aos poucos o brilho que um dia teve.



Econ. Alexandre Bouças Marques

Especialista em Gestão Pública

MBA em Gestão da Qualidade

Econ. Alexandre B. Marques

Economicidade

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