COMO FOI A GERAÇÃO DE EMPREGO NA REGIÃO DO VALE DE SÃO PATRÍCIO EM 2021?


Com base nos números consolidados pelo CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, fizemos um levantamento de como foi o ano de 2021 em matéria de emprego nas principais cidades da região do Vale de São Patrício.


Foram avaliados os desempenhos de Ceres, Goianésia, Itapaci, Itapuranga, Rialma, Rubiataba e Uruana.


Apresentamos abaixo a síntese dos resultados.


CERES


Ceres fechou 2021 com saldo positivo, tendo gerado 394 novos empregos, foi o segundo melhor desempenho relativo, ficando atrás apenas de Goianésia. Por outro lado, Ceres possui um estoque de emprego comparativamente maior, com 5.330 empregos registrados no CAGED, ou seja, apesar de “perder” para Goianésia em matéria de geração de emprego, Ceres supera Goianésia em termos de organização do mercado de trabalho, em outras palavras, em Ceres a probabilidade de se conseguir um emprego com carteira assinada é maior. No que diz respeito aos ramos de atividade que mais abriram novas oportunidades de emprego em 2021, Ceres foi destaque regional em serviços (155 empregos gerados) e construção (112 empregos gerados).


GOIANÉSIA


Goianésia foi a campeã em termos de criação de vagas de emprego, (1.771 novos postos de trabalho). Esse desempenho se assemelha ao verificado em 2010, todavia, não é um recorde, posto que em 2001 a cidade chegou a gerar 1.981 novos empregos. O fato é que no triênio 2018-2020 o saldo entre empregados e desempregados não foi tão bom assim, portanto, o resultado de 2021 apenas sugere uma recuperação da atividade econômica. Quanto aos setores que mais ampliaram a oferta de vagas em Goianésia temos indústria (saldo positivo de 474 empregos), comércio (saldo positivo de 404 empregos) e serviços (saldo positivo de 581 empregos).


ITAPACI


Itapaci conseguiu um saldo positivo de apenas 152 novos empregos, resultado considerado fraco para o perfil das cidades analisadas levando em conta o tamanho da população do município. Antes da pandemia a cidade estava tentando se recuperar de três anos seguidos de resultados ruins (2014-2016) onde foram registradas mais demissões do que contratações, todavia, a crise recente tornou a afetar os resultados de Itapaci que até hoje não conseguiu recompor seu estoque de emprego.


ITAPURANGA


A diferença entre a quantidade de empregados e a quantidade de demitidos em Itapuranga ao longo de 2021 foi positiva, resultando em 445 novas vagas de emprego. Apesar desse número ser maior do que o que foi verificado em Ceres, cabe lembrar que a população de Itapuranga é maior, (Ceres tem 22.407 habitantes e Itapuranga tem 25.597 habitantes). Em termos relativos, Ceres superou por pouco Itapuranga no que diz respeito à criação de novas oportunidades de trabalho. Os setores que mais geraram empregos em Itapuranga foram a indústria (saldo positivo de 181 novos postos de trabalho) e o comércio (saldo positivo de 149 novos postos de trabalho).


RIALMA


O desempenho de Rialma em 2021 foi mediano. A cidade criou 144 novas vagas de emprego registrados no CAGED. Isso se deve, em boa medida, ao baixo nível de formalidade do mercado de trabalho local quando comparado a Ceres, Goianésia e Rubiataba. Nenhum setor da economia do município teve destaque na região e o setor de construção retrocedeu, registrando mais desligamentos do que contratações.


RUBIATABA


Rubiataba fechou 2021 com 203 novas vagas de emprego. É uma quantidade relativamente baixa se levarmos em conta o fato de que a cidade tem atualmente 20.012 habitantes. Ainda assim, o setor agropecuário chamou atenção, criando 43 novos postos de trabalho, ficando atrás apenas de Goianésia que, no mesmo período, apresentou saldo positivo de 119 empregos.


URUANA


O caso de Uruana preocupa. Dentre as seis cidades analisadas, Uruana foi a que criou menos oportunidades de emprego (saldo positivo de apenas 21 novos postos de trabalho) e é – disparado – o mercado de trabalho menos desenvolvido, com um estoque de emprego formal muito baixo. Não foi identificado nenhum setor de destaque e os setores de agropecuária e indústria dispensaram mais do que contrataram.


QUANTO AO NÍVEL DE INSTRUÇÃO


Quando analisamos a distribuição das oportunidades, levando em consideração o nível de instrução exigido para preenchimento das vagas que foram criadas em 2021, algumas cidades e determinados grupos de trabalhadores ganharam destaque.


A oferta de vagas para trabalhadores com ensino fundamental incompleto foi relativamente alta em Ceres ao longo do ano passado, o que pode estar relacionado a boa quantidade de oportunidades de emprego no setor de construção.


O número de vagas abertas para quem tem ensino fundamental completo foi comparativamente elevado nos municípios de Rialma e Rubiataba. Já as oportunidades de emprego para quem tem ensino médio completo responderam pela imensa maioria dos postos de trabalho criados em Goianésia.


As oportunidades para quem tem ensino superior completo não chamaram tanto a atenção e estão concentradas nos dois principais polos dinâmicos da região: Ceres e Goianésia.


QUANTO À IDADE


Com base nos números do CAGED, considerando o saldo entre a quantidade de pessoas contratadas e quantidade de pessoas demitidas, o resultado da análise é o seguinte: Se você tem entre 18 e 39 anos, as oportunidades ficaram mais concentradas em Goianésia, para quem tem entre 30 e 49 anos, Itapuranga apresentou os melhores resultados. Para faixa etária entre 18 e 24 anos, Ceres, Itapuranga e Rialma também ofereceram uma boa gama de oportunidades, porém, em menor escala.


QUANTO AO GÊNERO


Para cada 4 empregos novos criados para as mulheres surgiram 5 novas oportunidades para os homens. O destaque positivo foi Goianésia onde a quantidade de vagas para ambos os sexos foi quase igual, com pequena vantagem para os homens. Uruana foi outro caso interessante, o saldo de oportunidades de emprego para as mulheres foi positivo em 33 novos postos de trabalho, ao mesmo tempo em que, para os homens, o saldo foi negativo em menos 12, ou seja, as poucas vagas de emprego abertas em Uruana foram destinadas, em sua maioria, para as mulheres e ficaram concentradas no setor de comércio e serviços.


COMO FORAM OS PRIMEIROS MESES DE 2022?


Até fevereiro deste ano, Ceres já havia acumulado um saldo positivo de 127 novos postos de trabalho, Goianésia registrou saldo positivo de 215 vagas, Itapaci criou 175 novas oportunidades de emprego, Itapuranga gerou apenas 64 novas vagas de trabalho, Rialma está com saldo positivo de apenas 1 novo posto de trabalho (criou 8 vagas em janeiro e perdeu 7 em fevereiro), Rubiataba está com saldo positivo de 147 empregos e Uruana está com saldo positivo de 11 novos postos de trabalho.


Caso o leitor queira conferir os números, pode verificar o site do Novo CAGED http://pdet.mte.gov.br/novo-caged e o banco de dados do Estado de Goiás https://www.imb.go.gov.br/bde/.




Econ. Alexandre Bouças Marques

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Econ. Alexandre B. Marques