O INÍCIO DA SOLUÇÃO ESTÁ NO PLANEJAMENTO!


O país enfrenta desafios cada vez maiores e o cenário para 2022 não é dos mais animadores.


Para ficarmos apenas em um indicador síntese, o PIB previsto para o próximo ano, segundo o relatório FOCUS do Banco Central, é de apenas 0,58%, ou seja, voltamos ao nosso “velho normal” de crescimento extremamente baixo, o que costumamos chamar de estagnação. Se somarmos a isso a inflação de dois dígitos que se desenha no horizonte, estamos flertando perigosamente com a situação de “estagflação”, ou seja, uma situação em que a economia não cresce e os preços não param de subir.


O fato é que ainda temos muito que aprender em matéria de planejamento estratégico e essa afirmação não se limita ao setor público; diz respeito também à iniciativa privada que, no caso brasileiro, ainda é adepta do improviso e – com esse vício característico de nossos gestores – acaba tendo baixa competitividade no mercado externo quando precisa lidar com concorrentes muito mais calejados em matéria de projetar resultados para o futuro.


Em termos de governo, podemos elencar o esforço de, por meio de arcabouço legal, instituir a obrigatoriedade do planejamento, vide por exemplo, a exigência da confecção do Plano Plurianual, da Lei Orçamentária Anual e da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Buscando na memória um exemplo muito mais recente, podemos fazer referencia à Nova Lei de Licitações que impõe regras que condicionam a deflagração dos processos de compras do governo à existência de uma série de peças de planejamento que lembram bastante o teor de documentos consagrados pelas boas práticas de gestão da qualidade e compliance.


O problema no caso dos governos é que a tentativa de melhoria não é orgânica, ela não está nascendo da consciência clara da necessidade de planejar para sobreviver. Talvez, essa percepção possa até existir em determinadas instâncias do Governo Federal e em alguns Governos Estaduais, ainda assim, na imensa maioria das cidades, planejamento ainda é coisa que fica apenas na retórica.


As exigências legais consistem basicamente em uma obrigação que está vindo “de cima para baixo” e isso não resolve nada! Fica muito bonito no papel mas não vai muito além disso.


Enquanto não houver uma mudança de atitude de nossos gestores (independe de serem públicos ou privados) será muito difícil contar com um projeto de país que seja viável. Permanecendo como estamos, continuarmos reféns das circunstâncias, dependendo apenas condições de momento! Isso não é o ideal. Se o planejamento continuar apenas como algo secundário, o Brasil caminhará para se tornar também um país de segunda classe.



Econ. Alexandre B. Marques

viabilidadeeconomica@gmail.com

Econ. Alexandre B. Marques