PROCESSO DE DECISÃO DE REALIZAÇÃO DE UM INVESTIMENTO EMPRESARIAL


O processo decisivo quanto à realização de um investimento empresarial passa, quando feito corretamente, pelo cálculo da Taxa Interna de Retorno do projeto (TIR). Esse cálculo considera a combinação de uma série de variáveis, tais como a previsão da taxa de juros no longo prazo, a projeção do fluxo de caixa do empreendimento e a expectativa da inflação.


Neste sentido, o Relatório Focus do Banco Central concede uma importante base informacional para construção dos parâmetros para o cálculo da taxa de retorno do projeto. Por outro lado, é necessário estimar a evolução do fluxo de caixa da empresa e isso envolve trabalhar com as expectativas e, neste momento, a emoção pode falar mais alto e nos induzir a superestimar a demanda ou subestimar os custos.


Para prevenir o equívoco é muito importante que o cálculo do custo de manter a empresa e tocar a produção, seja feito de forma correta e detalhada para assegurar que a projeção dos resultados não seja maquiada por falhas de percepção do cenário econômico.


Uma outra forma de “blindar” o cálculo, mantendo uma interpretação racional do aspecto financeiro do novo empreendimento, é compreender a expectativa de quem já está atuando no setor. Neste sentido, uma análise bem detalhada pode incluir o seguintes índices:


01 – Índice de Confiança do Empresário Industrial, calculado pela Confederação Nacional Indústria. Com esse indicador, podemos perceber qual é o sentimento dos empresários que atuam na indústria com relação aos seus negócios como um todo, o que consiste em um interessante mecanismo de projeção dos resultados.


02 – Índice de Confiança da Indústria, realizado pela Fundação Getúlio Vargas, busca levantar a mesma base informacional do índice anterior, porém com uma metodologia diferente.


03 – Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, mostra a produção efetiva da indústria, fornece uma série histórica de mais de cinquenta anos e permite a análise de vários setores e regiões do país. A PIM-PF, como é conhecida, é calculada periodicamente pelo IBGE.


Buscar informações sobre as importações nacionais também pode ajudar no processo de análise, uma vez que, desta forma, podemos ter um panorama geral de como está o apetite do empresariado quanto à disposição para investir.


O fato é que a coisa, muitas vezes, se dá não somente na “frieza dos números” e a realização dessas análises não pode ficar restrita a séries históricas, para não cairmos na armadilha de gerenciarmos o projeto olhando apenas pelo retrovisor, ainda assim, as expectativas dos empreendedores são decisivas, pois se os empresários (de forma orgânica) acham que as coisas estão indo mal, muito provavelmente, elas ficarão ruins, mesmo que não haja motivos reais para que isso aconteça.


Esse efeito manada, deve ser levado em conta na hora de projetar o fluxo de caixa da empresa, tendo em vista que terá influência significativa na evolução da demanda e da oferta, quer seja do negócio em si, quer seja, indiretamente.


Por fim, cabe lembrar que o contexto econômico e a segurança jurídica não podem ser deixados de lado, uma vez que são decisivos para a análise dos riscos envolvidos no negócio e de seu contingenciamento, outro aspecto fundamental para uma análise real do que se pretende empreender.


É assim que se faz, de forma correta, a análise de viabilidade de um empreendimento.




Econ. Alexandre Bouças Marques

alexandrebmeconomica@gmail.com




Referência Bibliográfica: GAMBO, Ulisses M. R. de; TUROLLA, Frederico A; Vasconcellos, Marco Antônio S. de. MACROECONOMIA PARA GESTÃO EMPRESARIAL – São Paulo. Editora Saraiva: 2016.

Econ. Alexandre B. Marques