O IDEB DE 6,6 ALCANÇADO PELO MUNICÍPIO DE CERES PODE SER MOTIVO DE COMEMORAÇÃO?



O Ministério da Educação conta com uma série de indicadores para medir o desempenho das escolas em nosso país. Um deles é o IDEB, que é levantado a cada dois anos e indica como está a qualidade do ensino. Ceres é avaliada desde de 2007 e neste ano a média atingida pelas escolas municipais de nossa cidade foi 6,6, resultado festejado tendo em vista que ficou acima da meta projetada pelo governo, porém, a coisa não é bem assim...

Resolvi analisar com um pouco mais de profundidade o real significado de uma nota 6,6 para as escolas municipais de Ceres e abaixo apresento minhas considerações.


O IDEB divulgado nesta semana faz referência ao ano de 2019 e reflete o resultado do trabalho desenvolvido no biênio 2018-2019. Portanto, os índices referentes a 2007, 2009, 2011 e 2013, apontam o desempenho apresentado pelo Governo Edmário, os índices de 2015 e 2017 apontam o desempenho do Governo Inês e o índice atual (2019) retrata o desempenho do Governo Rafael.

A primeira coisa que dá para notar é que o período em que o IDEB mais cresceu foi entre 2007 e 2009. Dá para notar também que o melhor resultado aconteceu em 2017 e que o desempenho da educação foi perdendo fôlego ao longo do tempo, ou seja, a cada ano o resultado foi crescendo menos, sendo que agora, pela primeira vez na série histórica, ele caiu.

Se observarmos a posição de Ceres no ranking do IDEB também podemos verificar detalhes reveladores sobre a realidade da educação no cenário atual.

Em 2007, Ceres ocupava a 52ª colocação no ranking estadual do IDEB. Dois anos depois, em 2009, chegamos à 8ª colocação no mesmo ranking, foi o melhor momento de Ceres, quando as escolas municipais da nossa cidade figuravam entre as melhores do estado. O índice de 2011 nos levou para a 12ª colocação. Em 2013 fomos os 18º colocados. No resultado de 2015 melhoramos e ficamos em 13º lugar no ranking estadual; na apuração seguinte, em 2017, queda para 30º lugar e finalmente, no IDEB de 2019, o resultado atual, despencamos para a 48ª posição em Goiás, ou seja, na comparação com as demais cidades do estado, praticamente regredimos para 2005. Saímos de uma posição invejável em 2009 para o meio da tabela em 2019.

Em seguida, comparei Ceres com cidades do mesmo porte que ela aqui no estado. Para tanto, dirigi minha atenção para as cidades goianas com população entre 20.000 e 50.000 habitantes. Um grudo de 36 municípios que incluem Itapuranga, Itapaci, Rubiataba entre outas localidades de todos os cantos de Goiás.

O que ficou evidente na análise foi que:

1º - Ceres tem um dos menores quantitativos de alunos matriculados, apenas 688 crianças em 2019, segundo o Instituo Mauro Borges. A título de comparação, Rubiataba que possui uma população um pouco menor do que Ceres, contava, na mesma época, com 1.064 alunos.

2º - Ceres foi uma das cidades que mais investiu em educação em 2019, foram R$ 14.362.799,00 segundo o Tribunal de Contas dos Municípios, o que significa R$ 20.876,76 por aluno, montante inferior apenas ao registrado por Bom Jesus de Goiás (R$ 49.892,79 por aluno) e Goiatuba (R$ 28.380,73 por aluno).

3º - Mesmo investindo muito, o resultado do IDEB de Ceres, comparado ao dos municípios selecionados foi frustrante. Oitavo colocado quando, era comum há algum tempo, ficarmos invariavelmente entre os três melhores.

Em linhas gerais, a conclusão é a seguinte: Há dez anos estávamos entre os melhores, hoje, somos medianos. A nossa rede de ensino é muito pequena comparada com a de nossos pares, nosso desempenho está piorando ao invés de melhorar. Aplicamos muito dinheiro em educação e o resultado não correspondeu ao montante investido, ou seja, somos ineficientes e usamos mal o dinheiro. Para comprovar isso, basta comparar Ceres com Itaberaí e Posse. Em 2019, Itaberaí investiu R$ 10.257,62 por aluno, Posse, investiu R$ 10.208,25 por aluno e ambas, com menos da metade dos recursos de que Ceres fez uso, conseguiram um IDEB equivalente a 7 pontos. Anicuns, uma das primeiras colocadas no estado com IDEB 7,5, investiu R$ 15.523,22 por aluno, 26% a menos que Ceres e apresentou um resultado 14% melhor do que o nosso.

Comemorar o fato de que batemos a meta proposta pelo MEC é tapar o sol com a peneira! A meta estabelecida pelo governo para Ceres é muito baixa. Em 2013, quando atingimos a nota 6,3 já havíamos superado a meta estabelecida para 2021. Estamos retrocedendo ao invés de evoluir! Isso, jamais poderá ser motivo de comemoração.

Econ. Alexandre B. Marques

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